Pós em Engenharia Portuária, onde e por que fazer?

January 1, 2019

1. Crescimento do Setor Portuário no Brasil

 

O setor portuário é um dos poucos setores da economia brasileira que continua a apresentar altas taxas de crescimento mesmo em um cenário nacional de recessão. No primeiro semestre de 2017, o movimento de cargas nos portos subiu 4,7% na comparação com o mesmo período de 2016

 

No setor do agronegócio, o IBGE elevou mais uma vez sua previsão de recorde de safra. O órgão revisou sua estimativa para a produção em 238,6 milhões de toneladas, um avanço de 29,2% frente a 2016. Toda a soja produzida no Brasil é escoada pelos portos brasileiros. Disso deriva também o aumento da demanda nos portos.

 

Quanto ao minério de ferro, em relação aos três primeiros meses de 2017, a VALE registrou crescimento de 6,6% na produção. Com esse desempenho, a maior fabricante de minério de ferro do mundo bateu seu recorde de produção para um segundo trimestre. Mais minério produzido provoca também o aumento de demanda nos terminais portuários da VALE.

 

2. O Complexo Portuário do Maranhão

 

Porto do Itaqui.

Encontra-se localizado no Distrito Industrial de São Luís-MA. O Porto do Itaqui é nacionalmente conhecido por ter uma das maiores amplitudes de maré do Brasil, chegando a aproximadamente 7,0 metros. Isso permite condições geográficas para receber no porto os maiores navios do mundo.

 

Terminal Portuário da VALE.

O Terminal Marítimo de Ponta da Madeira é um porto privado pertencente à VALE, vizinho ao Porto de Itaqui. Ele é um dos poucos terminais no mundo capazes de receber navios de 23m de calado. No Brasil, somente no Terminal Ponta da Madeira (MA) e no Terminal de Tubarão (ES) atracam os chamados navios Valemax. Navios estes com 400 mil toneladas de capacidade.

 

Terminal Portuário da ALUMAR.

A ALUMAR é uma empresa formada por um consórcio entre as mineradoras Alcoa, BHP Billiton e Alcan. É uma das maiores produtoras de alumina do mundo. A bauxita chega através do porto e é trazida de minas, em Trombetas e Juruti, no Pará. Na Refinaria, o minério é transformado e se obtém a alumina após uma série de reações químicas. A alumina é, então, embarcada e transportada.

 

Mais não é só isso. Além dos 3 Terminais Portuários supracitados temos várias outras empresas de médio porte que atuam no setor. São Agências Marítimas, despachantes aduaneiros, importadores, exportadoras, empresas de armazenagem de cargas, armadores (proprietários de navios), seguradoras marítimas, operadores portuários, entre outras. Vale a pena pesquisar as empresas que atuam em sua cidade.

 

3. Entenda como funciona o sistema portuário brasileiro

 

Antes de adentramos na análise do mercado local, é importante que você tenha uma ideia de como funciona a estrutura de um porto. A estrutura de um porto é tecnicamente dividida em subsistemas. São eles: 1) Acesso Marítimo; 2) Estrutura de Acostagem; 3) Retro área e 4) Acesso Terrestre.

 

O Porto do Itaqui, por exemplo, possui dois acessos rodoviários. Um é feito pelo centro da cidade de São Luís, indo pela Barragem do Bacanga, via Avenida dos Portugueses. O outro acesso terrestre é realizado por uma derivação da BR-135, partindo do quilômetro 11, no povoado de Pedrinhas, até a entrada do Porto.  Já o seu acesso ferroviário é feito através da  Estrada  de  Ferro Carajás (EFC) e pela Transnordestina Logística (TLSA).

 

Já a retroárea de um porto é onde ficam os seus armazéns, silos, tanques e as máquinas que movimentam as cargas. É o local onde se instalam as empresas que movimentam as mercadorias.

 

A área de acostagem é a região do porto destinada a atracação e desatracação de navios. No Porto do Itaqui essa área é composta por  7 berços, denominados de Berço 100, 101, 102, 103, 104, 105 e 106.

 

Por fim, a área de acesso marítimo é composta pelo canal e pela bacia que dão acesso a aos berços de um porto. No Porto do Itaqui ela é composta por cerca de 101 Km de comprimento.

 

4. Áreas de Atuação.

 

Como Engenheiros podem trabalhar na área portuária?

 

O mercado portuário para engenheiros é promissor. O Porto do Itaqui, o Terminal da VALE e o Terminal da ALUMAR empregam muitos profissionais dessa área. Para se ter uma ideia, a VALE possui mais de 1.800 funcionários diretos. A ALUMAR mais de 1.000 funcionários diretos. O Porto do Itaqui possui um quadro de cerca de 250 funcionários diretos. Profissionais que são administradores, engenheiros, advogados, economistas, técnicos das áreas de segurança do trabalho e de meio ambiente, dentre outros. Esses números não incluem os contratados indiretamente ou terceirizados. Nesse caso, o número total de profissionais pode dobrar.

 

No Porto do Itaqui os profissionais formados em Engenharia fazem parte de vários setores. Estão presentes na Diretoria de Administração e Finanças, na Diretoria de Engenharia, na Diretoria de Planejamento e na Diretoria de Operações Portuárias. Gestão, como sabemos, é a base de qualquer empresa.

 

No Terminal Portuário da VALE a demanda por profissionais formados em Engenharia é relevante. Eles se distribuem em vários setores da empresa, desde Planejamento passando por Obras Civis, Produção até Operações Portuárias. O conhecimento sobre processos é um diferencial. Além disso, saber os principais indicadores de desempenho é fundamental. Em Terminais Portuários de Uso Privado, como esse, pode-se destacar 8 fatores como os mais relevantes para resultados sustentáveis da empresa: 1) Gestão Estratégica; 2) Gestão Financeira; 3) Segurança, Sustentabilidade e Comunidade; 4) Infraestrutura; 5) Tecnologia; 6) Hinterlândia; 7) Gestão de Pessoas e 8) Gestão de Processos.

 

O mesmo se aplica ao Terminal Portuário da ALUMAR, empresa formada por um consórcio entre as mineradoras transnacionais Alcoa, South 32 e Alcan. Por se tratar de um Consórcio, demonstrar bons resultados entre as consorciadas é fundamental. O conhecimento dos indicadores de desempenho do segmento aqui também é fundamental. Grandes empresas trabalham, via de regra, com metas claras. 

 

No Porto do Itaqui, o profissional de engenharia civil é bastante demandado, pois ele é fundamental para as obras portuárias que são necessárias para a expansão da infraestrutura do porto. Sem elas a capacidade de movimentação de carga do porto fica comprometida e o porto não evolui. Apenas para citar exemplos atuais, recentemente o Porto do Itaqui iniciou a construção do pátio H. Necessário 1.300m³ de concreto para sua concretagem. Um obra de R$ 9 milhões. Também nos últimos meses foi anunciada a construção de um novo berço de atracação. Uma obra que certamente passará da casa dos 150 milhões de reais, gerando muitas vagas diretas e indiretas para engenheiros civis, dentre outras profissões.

 

No Terminal Portuário da VALE engenheiros civis, mecânicos e de produção também são bastante procurados. Isso porque o Terminal contempla obras portuárias, manutenção do maquinário gigante e sistemas de produção.

 

Vejamos a logística do minério da VALE. O minério de ferro chega ao Terminal Portuário através da ferrovia. Após isso ele é descarregado dos vagões e empilhado nos pátios. Em seguida, é feita a estocagem e a recuperação deles. Por fim, o minério é transportado através de correias até o shiploader (carregador de navios), que, por sua vez, lança o minério no porão do navio. Cada fase envolve maquinários de última geração. Necessário, portanto, a presença dos engenheiros mecânicos. De igual modo, se há um problema de infraestrutura entre a ferrovia e o porto, um engenheiro civil será necessário para adequar ou readequar a obra. Da mesma forma, tudo isso precisa estar dentro do desempenho da produção. Espaço para o engenheiro de produção.

 

No Terminal Portuário da ALUMAR a presença de engenheiros civis, mecânicos e de produção também é fundamental. A ALUMAR faz todo o processo de refino para formação da alumina. Sua refinaria, que está localizada na sua retroárea, transforma bauxita, carvão e soda cáustica em alumina, base para a produção do alumínio. Engenharia aqui é fundamental e envolve tanto produção, como manutenção e obras civis.

 

5. Invista em você!

 

Você será um estudante pelo resto da sua vida. Se você fará isso através dos caminhos acadêmicos ou será um autodidata, a opção é sua, mas parar de estudar não é uma opção viável no mercado de hoje.

 

O mercado atual espera contar com profissionais que busquem o autodesenvolvimento o tempo todo. Fazer uma Pós pode ser uma boa saída. Mas, não apenas para ter um certificado que ficará guardado na sua estante.

 

A escolha de um boa Pós-graduação deve ter por base 3 coisas: 1) professores que sejam formadores de opinião nos seus setores; 2) uma turma composta por profissionais que já atuem na área, permitindo um forte networking entre os alunos e 3) disciplinas alinhadas com a prática do mercado.

 

Você deve estar pensando: legal, mas isso só é possível para quem puder desembolsar grandes valores. Nada disso! Existem instituições de ensino que ofertam Pós-Graduações na área portuária nesse nível e com um justo custo-benefício, como a Pós em Engenharia Portuária do Instituto Navigare.

 

Sabe por que mais investir em si mesmo é importante? Veja a próxima dica!

 

6. Networking é fundamental!

 

O seu sucesso profissional está diretamente relacionado aos contatos que você cultiva ao longo da sua vida. Dessa forma, ter uma boa rede profissional de contatos tornou-se algo fundamental nas carreiras.

 

A aproximação com pessoas e a criação do seu círculo social é algo que pode se dar de várias formas: em um curso, na faculdade, no trabalho, na sua igreja etc.

 

Na área portuária e de comércio internacional a participação nos eventos da Federação das Indústrias local é sempre um excelente ponto de partida. Sempre bom ficar atento também aos Workshops e Congressos que acontecem no setor. Nele sempre estão presentes gerentes, diretores e advogados de grandes empresas com atuação portuária. Adicionalmente, uma boa estratégia é redigir artigos e publicá-los em um jornal de grande circulação da cidade. Isso poderá lhe dar autoridade.

 

Um ponto importante: a rede de contatos deve ser alimentada sempre, e não apenas quando você precisa de alguma coisa. Networking não é uma relação onde você só ganha. É uma relação de troca e, às vezes, você tem que dar o primeiro passo. Dificilmente você terá êxito se pensar em apenas ganhar. Ajudar pessoas é a melhor forma de começar.

 

Outro ponto de destaque é que a máxima “quem não é visto não é lembrado” vale muito. E uma das maneiras mais comuns de fazer isso é nas redes sociais. Mantenha suas redes atualizadas e publique suas participações nos eventos do setor. Ter um bom networking o ajudará a se manter na mente das profissionais do setor quando surgirem novas oportunidades.

 

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